segunda-feira, 14 de maio de 2012

História do 15 de Novembro F.C. Um Sonho, Uma Realidade


Já escrevi três das quatro postagens relacionadas às minhas aventuras esportivas no sudeste brasileiro. Primeiro, postei um texto sobre a TetraBrazil Soccer, empresa que me contratou para trabalhar nos EUA. Segundo, comentei sobre minha satisfatória conversa com o ídolo e ex-jogador do Tupi Futebol Clube de Juiz de Fora (MG), Moacyr Toledo, mais conhecido como Toledinho. Terceiro, escrevi sobre minha presença no treinamento do Tupi e da conversa com um torcedor fanático da equipe. Hoje, dia 14 de maio de 2012, escrevo de forma longa a última experiência esportiva antes do meu retorno para Brasília. 

Dois dias depois da minha chegada à casa dos meus avós em Juiz de Fora, meu avô Paulo perguntou se eu queria passar em Laranjal e conhecer o 15 de Novembro Futebol Clube. Primeiramente, como poucos sabem, Laranjal é uma pequena cidade de Minas Gerais, local onde meu avô e meu pai nasceram. Já o 15 de Novembro é o clube em que meu avô foi, além de fundador em 1950, atleta e treinador.

Desde pequeno ouvi as histórias sobre o 15 pela boca de meu avô. Sempre pareceu uma criança falando de seu brinquedo novo. Para muitos, era só uma passagem da vida do meu avô, mas para ele, era a própria vida representada pelas histórias do clube.

No primeiro momento, após a realização da pergunta, fiquei um pouco surpreso, não pelo fato de estranhar a pergunta, mas sim porque o dia da pergunta tinha chegado. Meu pai sempre falava que um dia ele me chamaria, já que a minha vida e o futebol estão totalmente ligados. Realmente, de todos da família, eu seria a única pessoa que meu avô convidaria para conhecer o 15 depois de tantos anos. Todas as vezes que eu visitava meus avós era em época de Natal, ou seja, não havia atividades no clube, portanto não adiantaria me convidar.

Depois da minha confirmação, meu avô logo foi ligar para o pessoal de Laranjal. A ideia era chamar os jogadores no dia 01 de maio, dia do trabalhador, para se apresentarem no campo, porque eu iria comandar um treino para eles. Naquele momento, fiquei muito alegre, ainda mais porque daria um treino no local onde meu avô mais se sentia em casa.

A viagem para laranjal seria um dia após minha chegada do Staff Training com a TetraBrazil em Rio das Flores (RJ). Quando cheguei do treinamento, minha avó, um pouco cabisbaixa, falou que os sócios do 15 não tinham conseguido reunir os jogadores para o feriado. Era de se esperar! Quem jogaria em pleno feriado?! Essa informação durou poucas horas quando o treinador da equipe ligou e avisou que nós poderíamos ir porque todos já estavam à espera.

Mesmo extremamente exausto do treinamento de 3 dias seguidos, fiquei logo desperto quando vi o rosto do meu avô repleto de ansiedade pelo dia seguinte. Não poderia decepcioná-lo. 

A viagem foi chuvosa a todo o momento. Já estávamos totalmente desanimados. A ocorrência do treinamento já era incerta. Minha avó até cantou a música para Santa Bárbara dar um jeitinho de acabar com a chuva na chegada de Laranjal.

A chegada ao campo estava marcada para as 15h. Logo depois que almocei na casa da irmã da minha avó, olhei para o céu e vi que as possibilidades tinham realmente acabado. Era um temporal muito forte. Deitei na cama e fui dormir. Às 14h45, meu avô bate na porta e me chama. Fiquei quieto por uns instantes imaginando o que ele queria fazer com aquela chuva, mas quem estava na chuva era para se molhar. Literalmente. Então coloquei minha roupa e chuteira e logo partimos para o campo.

Cheguei ao Estádio Serafim Naya e entrei na chamada “Cabana”, local onde teoricamente deveria ser utilizado para reuniões dos sócios, vestiário para os jogadores e festas para a comunidade. Na prática, a “Cabana” estava em precárias condições, mas com os pedreiros trabalhando seriamente no feriado do trabalhador para mudar aquela aparência. Dentre os trabalhadores ali presentes, estavam o Sacolé, treinador de todas as categorias do clube, e o goleiro de 18 anos. 

Quando cheguei, parecia que eu era uma estrela de cinema para o pessoal do clube que estava por lá, ainda mais porque meu avô falava para cada um que aparecia que eu era isso e aquilo dentro do futebol. Na verdade, eu era só mais um entusiasmado com o momento de estar ali, fazendo o que eu mais gosto, como todos os outros garotos.

Chegamos 15h em ponto e a chuva não cessava. O goleiro não parava de falar que queria treinar mesmo com um temporal. Passaram-se 2 horas e a chuva começou a amenizar. Não acreditei que até às 17h o meu avô conseguiu conversar com todos dentro da “Cabana” sobre um único assunto: o 15 de Novembro Futebol Clube.

Já estava pronto para voltar para casa naquele fim de tarde, um pouco triste, mas com a sensação de dever cumprido, quando chegaram mais três jogadores loucos para jogar bola. Estávamos já nos despedindo do pessoal quando os três falaram que o restante estava a caminho. Quando olhei para fora, já eram mais dez chegando. No total eram 14 jogadores. De forma nenhuma eu poderia ir embora sem fazer com que esses meninos voltassem para a casa sem ao menos tocar na bola. Assim sendo, fiz o que deveria fazer.

Foi naquele dia que eu vi como o futebol entrou na vida do meu avô de uma forma contagiante. Paulo Alvarenga Domingues, um dos poucos vivos desde o início da história do 15 se sentia como um presidente, mestre de obras, treinador, jogador e torcedor ao mesmo tempo. O clube para ele não merecia estar no local onde estava, com apenas 29 sócios pagando 15 reais por mês e sua estrutura desgastada. Se o clube acabasse, uma parte da vida do meu avô também acabaria. Já não bastasse a enchente que ocasionou sérios danos a cidade de Laranjal e que paralisou todas as atividades do 15 durante anos. Ele queria ver sempre mais. Até o livro “História do 15 de Novembro F.C. Um Sonho, Uma Realidade” meu avô escreveu em 2004 para conseguir auxílio da comunidade para reerguer a história do clube em 2010. 

Realizei um treinamento com todos durante 1h. Os jogadores não queriam parar, mas a noite já não deixava e os refletores também já não acendiam. Foi uma tarde incrível. Não imaginava tanto respeito pelos jogadores e tanta satisfação pelos sócios do clube. Foi um dia que será marcado pelo resto de minha vida. Tanto na minha quanto na do meu avô. Agora sim, eu posso falar: a história do 15 de Novembro F.C.  é um sonho, uma realidade!

Texto em homenagem ao meu avô Paulo Alvarenga Domingues.


“Quero com todos me desculpar
Pela omissão de nomes
De pessoas ou fatos,
Que deixei de relacionar

Escrever a história do 15
Difícil não foi não
Pois conheço o passado e o presente
O futuro, outros escreverão.

Finalizando, quero acrescentar:
Não se acomodem
É muito fácil criticar.
O difícil é construir e conversar”.

Versos do livro “História do 15 de Novembro F.C. Um Sonho, Uma Realidade”

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Um torcedor desconhecido


Ainda devo postar duas das quatro histórias que eu escrevi na minha aventura esportiva em pleno sudeste brasileiro, há duas semanas atrás, quando fui chamado para o último treinamento para trabalhar como treinador nos Estados Unidos. Na primeira postagem, falei um pouco sobre o processo de conhecimento da TetraBrazil e do espaço inédito que a empresa atinge no Brasil. Posteriormente, fiz uma postagem falando do meu incrível encontro com o ex-jogador, ídolo e atual administrador do Estádio Municipal Radialista Mario Helênio de Juiz de Fora (MG), local onde o único time profissional da cidade, o Tupi Futebol Clube, manda seus jogos. Nesse mesmo dia de visita pela manhã, eu e meu avô tivemos a ideia de observar o treino do Tupi na parte da tarde. Assim sendo, o treino que observei e um torcedor fanático que conheci na arquibancada do precário centro de treinamento do clube foram os temas dessa minha terceira postagem.
Na tarde do dia 26 de abril de 2012, eu e meu avô Paulo pegamos o carro e seguimos para o campo onde o Tupi realiza alguns de seus treinos. Primeiramente, achávamos que o time iria treinar no próprio estádio do município, mas felizmente Toledinho nos informou que naquele dia o treino seria no bairro cujo nome, se não me engano, era Terezinha. Digo felizmente, porque seria improvável que ocorresse a satisfatória conversa com Toledo, se houvesse treino da equipe no estádio.
Saí do estádio bem entusiasmado por dois motivos: pela manhã agradável que tive ao conhecer um bonito estádio e um bom contador de histórias; e por acreditar que acompanharia um bom treinamento do Tupi naquela tarde, sobretudo pelo fato de ser o treinamento de quinta-feira, ou seja, o último treinamento da equipe em Juiz de Fora, antes do segundo jogo da semifinal contra o Atlético-MG pelo campeonato mineiro.
Cheguei ao pequeno estádio e logo me deparei com semelhanças intensas com o que observo no Distrito Federal. Para falar a verdade, vi o que é observado não só no DF, mas em quase todos os times profissionais do Brasil. Vamos ver se algum leitor também encontra semelhanças: Campo e arquibancada pequenos; gramado não tratado; presidente na beira de campo conversando com uns dois ou três jogadores em particular; treinador com os braços cruzados observando os treinamentos dos auxiliares sem falar um “piu” com o tom de autoridade; jogadores dando o velho “migué” no treinamento da metade do campo em que o treinador não estava; os “craques” treinando separados do restante do grupo e com a atenção completa do treinador; jornalistas na beira de campo entrevistando o treinador e o artilheiro da equipe; titulares jogando de maneira displicente com risadas a todo o momento; os reservas, coitados, chegando com tudo para tentar uma vaguinha; um reserva brigando com um titular por causa de uma entrada mais forte; jogadores levando petelecos na orelha quando tomavam canetas; treinos analíticos com pouca aplicação em jogo; e por último, mas com certeza porque eu me esqueci de vários acontecimentos, as compressas de gelo nas coxas e panturrilhas dos jogadores titulares que “deram o sangue” no último treino da semana.
Mais uma vez, caí na minha própria ingenuidade em acreditar que poderia ver algo diferente. Não me condeno por isso, na verdade, me orgulho, já que a minha esperança me leva a conhecer lugares que eu nunca imaginaria estar. Mas sei lá, né?! Talvez, o certo seja Toledinho que não se importa com o que acontece com o treino, mas já é feliz por estar ali. Assim como um torcedor que conheci na arquibancada. Não cheguei a perguntar o nome dele, mas me deixou muito impressionado. Na arquibancada, estava eu, meu avô e mais uns 10 torcedores do Tupi observando o treinamento. Eu, como de costume, ficava observando o treino atentamente, enquanto que meu avô conversava com os outros torcedores da arquibancada. As indagações de todos eram as mais variadas. Uns falavam mal do craque do time que não estava fazendo gols, enquanto outros falavam que sem ele, o Tupi estaria ainda na quarta divisão. Uns comentavam sobre o jogo contra o Atlético-MG acreditando na vitória do Tupi, já que o primeiro jogo tinha sido empate em Juiz de Fora. Outros citavam os nomes dos jogadores parecendo que fossem melhores amigos. Como foi o caso do torcedor que citei logo acima. Fazia tempo que eu não via um garoto tão fanático como o daquela tarde. Primeiro, me surpreendi ao ver que era o único jovem a presenciar o treinamento. Na verdade, em uma quinta-feira à tarde, quase todos os torcedores, a meu ver, pareciam ser aposentados ou pessoas que moravam perto do campo.
O garoto, que aparentava ter uns 20 anos, não parava de falar um instante na arquibancada. Tive a impressão de que ele já conhecia todos os torcedores, como também tudo dos jogadores. Eu não acreditava no jeito que ele falava do Tupi. Eu continuava a observar o treinamento até quando ele falou ao meu avô: “Eu assisto todos os jogos do Tupi! A minha mãe ainda está pagando as prestações da minha viagem para Pernambuco, onde eu fui assistir a final da Série D entre Santa Cruz e Tupi em 2011”. Depois da fala do torcedor, eu me desconcentrei completamente do que estava acompanhando, virei para ele e perguntei: “Você já conversou com alguns dos jogadores do Tupi, treinador ou com algum dirigente?”. O garoto um pouco sem graça abaixou a cabeça e falou que conhece um pouco, mas os jogadores não gostam dele porque fala muito. Naquele momento, eu já não conseguia ver mais o treinamento. O garoto esqueceu minha pergunta e continuou conversando com outros torcedores. Passaram-se 5 minutos e eu pedi ao meu avô para irmos embora para casa.
Tenho certeza de que nunca mais vou ver aquele garoto, mas voltei para casa pensando nele todo o tempo. A primeira coisa que fiz quando cheguei foi escrever sobre o que tinha ocorrido. Realmente, a força do futebol no Brasil é inexplicável. Quantos outros torcedores como aquele garoto existem no país inteiro que torcem dessa maneira para times muito conhecidos nacionalmente, times bem pequenos, times amadores ou simplesmente times que fizeram parte de sua história de vida?! No meio de milhões de torcedores, sempre existirá um jovem que acompanha todos os jogos de um pequeno time do Brasil, idolatrando jogadores, os quais nunca o viram e nem sabem o seu nome.
Aliás, o segundo jogo entre Atlético-MG e Tupi acabou em 1x0 para o Atlético em Sete Lagoas. Mais uma prestação que o garoto teve que pagar para viajar. Nada disso importa para ele. A alegria em estar no estádio e ver seu time do coração jogar e treinar, não tem preço.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Toledinho: um ídolo torcedor


Há pouco mais de uma semana, viajei para Rio das Flores (RJ) para realizar meu último treinamento com a TetraBrazil com o intuito de estar apto a ir a Chicago trabalhar como soccer coach. Como de costume, fiquei alguns dias na casa dos meus avós em Juiz de Fora (MG) antes do Staff Training, já que as cidades são bem próximas, cerca de 1 hora de distância de carro. Em Juiz de Fora, meu avô teve a brilhante ideia de conhecermos os estádios e o time profissional que representam a cidade. 

Ao amanhecer, fomos visitar o estádio que a prefeitura construiu e que o Tupi Futebol Clube costuma mandar seus jogos.  Para ser sincero, não esperava muita coisa dos estádios por dois motivos: primeiro, pela falta de reconhecimento do futebol local, sendo que o Tupi é o único time profissional da cidade e que acabou de ganhar a 4ª divisão nacional; segundo, achei que seria parecido com os estádios precários do Distrito Federal, sobre os quais tive experiências como árbitro. Enganei-me completamente! 

Ao chegar no bonito, bem estruturado e bem mantido Estádio Municipal Radialista Mario Helênio, fui recebido de uma maneira tão incrível, que me senti como se fosse o presidente do clube. Moacyr Toledo, mais conhecido como Toledinho, é o atual administrador do estádio e foi o responsável por alegrar a minha manhã do dia 26/04/2012. Maior craque e ídolo da história do Fantasma do Mineirão, nome dado ao Tupi na década de 60, Toledinho mostrava as fotos, o campo, os vestiários e contava as várias histórias do clube como se fosse a primeira vez.  Dava para ver o brilho nos olhos quando ele falava de sua vida dentro daquele clube. Depois que mostrou, com um sorriso no rosto insubstituível, sua foto dividindo uma bola com Pelé em um jogo-treino entre o Fantasma do Mineirão e a seleção brasileira, que estava a caminho da Inglaterra para a Copa do Mundo de 1966, minha cabeça não parava de pensar sobre o que eu tinha acabado de observar.

A fala de Toledinho naquela manhã representou para mim o que realmente significa a noção de pertencimento torcedor-clube e clube-torcedor. Na verdade, vi mais uma vez o quão forte o futebol pode entrar na vida de uma pessoa sem que ela se dê conta. As suas palavras me mostraram o que é o verdadeiro torcer. Impressionou-me de uma forma, sobretudo porque mesmo sabendo que era o ídolo maior da história do Tupi, Toledo se sentia como se fosse um torcedor como todos os outros. Em nenhum momento, falou do Tupi com ele e o Tupi sem ele. Parecia que o Tupi sempre era com ele. Toledinho não era um mero ex-jogador contando de suas façanhas e de seus gols que nunca mais ocorrerão. Pelo contrário, era administrador, jogador, torcedor, presidente e treinador ao mesmo tempo. Sua vergonha em falar de seu retrospecto mostrava o tanto que o futebol o deixa ainda abismado, mesmo sendo um ídolo. 

Toledinho mostrava a cada frase que formava, que o Tupi não era o seu clube formador, mas sim sua criação, ou melhor ainda, seu filho que merecia toda a atenção e cuidado como se o futuro pessoal e profissional estivesse em suas mãos, o pai coruja. Não xingava jogador, treinador e dirigentes quando o time perdia. Não se importava em limpar o vestiário com cascas de banana, mexerica e pedaços de melancias jogadas ao chão pelos atletas no dia do jogo. Não se importava em ver o time perder de goleada contra outro time qualquer. Não se importava em ver seu time na 1ª, 2ª, 3ª ou 4ª divisão. Para Toledo, o Tupi Futebol Clube era o melhor filho do mundo. 

Nos tempos atuais, em que o ato de torcer está tão marginalizado pelo corporativismo das torcidas organizadas que cada vez mais pensam em interesses pessoais, Moacyr Toledo, vulgo Toledinho, ídolo da história do Fantasma do Mineirão, senhor de 80 anos, pouco estudo e com uma história de vida fantástica, deu uma aula com o tema “O que é torcer?” que poderia ser ministrada em qualquer sala de universidade.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

TetraBrazil Soccer Academy

Ao mesmo tempo que escrevo sobre diversos assuntos inseridos no futebol, também utilizo o blog para contar sobre minhas aventuras esportivas. Falo aventuras, porque um dia desses, na pelada que o amigo do meu irmão organiza há mais de 7 anos, todas às quintas-feiras, uma pergunta me chamou a atenção na nossa tradicional resenha depois do jogo. Nesse dia, o André, esse amigo do meu irmão, perguntou:
- E aí Joãozasso, quais as suas aventuras do futebol por agora?

Eu respondi:
- Então André, fiz um processo seletivo de uma empresa para ser treinador de futebol nos Estados Unidos!
Nesse momento, todo mundo me olhou rindo e o André falou:
- João, você sempre foi muito aventureiro mesmo com o futebol. Massa demais!

Logo depois, todos me deram parabéns.

Nesse mesmo dia, cheguei em casa e fiquei pensando no que o André tinha me falado e realmente percebi que não teria outra palavra melhor para me caracterizar, se não, aventureiro do futebol.

Primeiro, a paixão por futebol que me levou a fazer Educação Física. Logo após, a vontade de ser atleta de futsal e jogar nos principais torneios de Brasília. Inesperadamente, passei a me interessar em ser árbitro. Terminei o curso de arbitragem de futsal, mas ainda preferi continuar jogando futsal. Nesse momento, já idealizava em ser um gestor do futebol, quando me inseri no laboratório de Gestão e Marketing do Esporte da UnB - GESPORTE... Parecia que eu era mais um estudante de Administração do que da própria Educação Física... Até empresa júnior fundei! Tempos posteriores, decidi em fazer o curso de arbitragem para futebol de campo. Assim sendo, optei por parar de jogar futsal constantemente e foquei intensamente na carreira de árbitro. Mesmo sendo árbitro, comecei a gostar da área de treinamento de futebol e optei em treinar o time de Educação Física da UnB, simular treinos e sugar os livros da área. A última aventura, foi participar do processo para trabalhar como treinador nos EUA pela empresa TetraBrazil Soccer Academy, sobre a qual falo nessa postagem.

Muitos conheceram as outras aventuras que passei, mas poucos souberam dessa última da TetraBrazil. Por isso, decidi escrever como foi todo processo, principalmente como agradecimento a todo o staff da empresa que proporcionou neste ano, não só para mim, mas para mais de 100 amantes do futebol como eu, a oportunidade em treinar o soccer no país do football, já que no país do soccer, as portas são cada vez mais fechadas para aqueles que estudam, se especializam e se capacitam.

Como posso ser treinador no Brasil? Como consigo treinar equipes de categorias de base? Como entro no meio do futebol? Quais são as alternativas de curso e oportunidades de negócio? O que fazer? 

Quantos de nós, amantes do futebol, já não fizemos perguntas como essas?! Quantas maneiras já tentamos para entrar no meio do futebol e não deu muito resultado?! Quantos cursos, pós graduação, mestrado e até mesmo doutorado?!

Conheço pessoas que tentaram (e ainda tentam) formas completamente diferentes para conseguir um espaço no futebol. Uns entram como atletas; outros fazem cursos e mais cursos; outros fazem curso de arbitragem como eu fiz e outros surgem com ideias que eu nunca tinha visto antes. Uma dessas ideias foi a da TetraBrazil.

Quando a Tetra entrou em contato com a Olé Júnior - empresa júnior de Educação Física da UnB - achei muito inusitado o fato de uma empresa fundada nos EUA conseguir nosso contato. Na situação de presidente da Olé, felizmente tive que correr atrás e ver o que realmente era essa "tal" TetraBrazil Soccer Academy. Hoje, além de passar pelo curso oferecido, todos os treinamentos, capacitações e empreendimentos com a empresa, estou com passagem marcada para 01 de junho para os EUA para ser um soccer coach. 

Não esperava nada disso quando ocorreu o primeiro contato e nem de uma forma tão rápida. Aposto que nem eu e nem ninguém que viu pela primeira vez essa ideia. É uma oportunidade tão rara de se ver no Brasil que assusta todo mundo que conhece. A sorte também estava no meu lado, ainda mais quando vi que a Tetra tinha seu único escritório no Brasil em Juiz de Fora - MG, local onde sempre passo minhas férias de fim de ano. Seria burrice da minha parte deixar de saber sobre a empresa.

Hoje, só tenho a agredecer a Tetra em trazer uma oportunidade inédita ao Brasil, não só para mim, mas para todas as pessoas que já tentaram e ainda tentam entrar num esporte nacional acompanhado por muitos e aberto para poucos.
 
Realmente fui e continuo sendo muito aventureiro. Chego até a ser tachado de sonhador e idealizador. Pode ser mesmo que um dia a minha ficha caia e eu coloque o pé no chão. Até lá, continuo com as minhas aventuras que me deixam tão satisfeito.



quarta-feira, 2 de maio de 2012

Josep Guardiola: filho da casa e a casa do filho


Vitorioso de 13 dos 16 títulos disputados! 2 Mundiais da FIFA, 2 Liga dos Campeões da UEFA, 2 Supercopas, 3 Espanhóis, 1 Copa do Rei e, principalmente, líder e maestro do futebol-arte reinventado. Essas são algumas das várias conquistas de Pep Guardiola como treinador do Barcelona. Cinco dias atrás, dia 27/04/2012, Pep se despediu do comando de um dos maiores times que a história do futebol pôde receber. 

Guardiola, dentro de sua salinha privativa e na beira do gramado, conseguiu mostrar ao mundo como conquistá-lo da maneira mais bela possível. Um filho do Barcelona que conseguiu formar uma equipe quase toda de irmãos mais novos. Méritos do próprio pai, que soube escolher a melhor educação para todos. Hoje, o filho mais velho sai da casa que o transformou em um ídolo. Deixou por lá um legado que será lembrado para sempre no futebol. Transformou um esporte tão complexo, cheio de regras, opiniões, esquemas, variações e desafios em um jogo de criança que alegra a todos que o vê, como se fosse fácil.

O que Guardiola e a escola Barcelona mostraram ao mundo? 

-Um time que não precisava de um 4-4-2, 4-3-3 ou qualquer tipo de esquema, padrão ou estrutura tática para sustentar seu futebol;
- Um time de um volante que aprendeu a jogar na defesa e no ataque ao mesmo tempo; de um zagueiro que aprendeu a jogar na lateral; de um meio campo que aprendeu a jogar na defesa; de jogadores que aprenderam a jogar independentemente de sua posição, mas de uma filosofia, cultura e ideal de jogo;
- Um time que tinha um ex-jogador que precisou estudar muito mais para ser um treinador;
- Um time que mesmo tendo 3 dos 5 melhores jogadores do mundo em sua equipe, conseguia ter um grupo sem disputa de egos;
- Um time que trouxe uma evolução no treinamento do futebol, a partir do momento que transformou treinos em jogos relacionados com o próprio esporte;
- Um time que encantou a todos que acompanham o futebol;
- Um verdadeiro time dos sonhos.



Parabéns, Guardiola! Sair do Barcelona foi a escolha mais honrável para o futebol! Seria muito injusto, o melhor professor do mundo dar aula a uma mesma escola para sempre.